Dias 30-31 – 20180119-20: Viagem a Cleveland

Nos dois últimos dias, sexta-feira, dia 19, e sábado, dia 20, estivemos em Cleveland, a segunda cidade do estado de Ohio (depois de Columbus, a capital). Confesso que, até eu ir conferir, agora, o tamanho das cidades, pensei que Cleveland fosse a maior cidade do estado…

Saímos para lá na sexta-feira, antes do almoço. Ficamos hospedados em um hotel em Beachwood, perto de onde já estivemos (lembram-se da livraria Barnes & Noble e da Loja da Apple?). À noitinha fomos jantar num restaurante italiano e, depois, fomos ao teatro.

A cidade de Cleveland, como muitas cidades industriais do Norte do Estados Unidos, tem sofrido com a crise da indústria americana, causada, em parte, pela substituição de mão de obra pela tecnologia representada pela automação industrial, em parte pela terceirização do que sobrou da indústria de manufatura para países do Terceiro Mundo (em especial na Ásia). Primeiro foi para o Japão, depois para a Coréia, depois para a China, agora é para o Vietnam, o inimigo da década de 60 e de parte da década de 70. Cleveland, no entanto, vem se recuperando, com um programa de renovação de sua área central (downtown), que fica às margens do Lago Erie. Esse programa de renovação é um exemplo para as cidades brasileiras, como São Paulo, cuja renovação do centro velho tem ido a passos de tartaruga. O único consolo é que em outras grandes cidades brasileiras, a velocidade não chega a ser nem de tartaruga, porque não deram nem sequer um passo ainda.

Cleveland seria uma cidade do interior, como Montes Claros, MG, não fossem os Grandes Lagos e a chamada Saint Lawrence Seaway que dá acesso ao Oceano Atlântico a cidades que estão, literalmente, no meio dos Estados Unidos e do Canadá, como Cleveland, Detroit, Chicago, Milwaukee, Green Bay, Duluth, etc. nos Estados Unidos (a primeira no estado de Ohio, a segunda no estado de Michigan, a terceira no estado de Illinois, as duas seguintes no estado de Wisconsin, e Duluth no estado de Minnesota), e Québec, Montréal, Toronto e Thunder Bay, no Canadá (as duas primeiras na província de Québec e as duas restantes na província de Ontario).

Os chamados Grandes Lagos são cinco lagos (Superior, Michigan, Huron, Erie, e Ontario — este o mais a Leste) interligados (natural ou artificialmente) que, em sua totalidade, formam a maior quantidade de água fresca do mundo, em volume. Interligados com o Rio Saint Lawrence, que nasce na ponta oriental do Lago Ontario e desemboca no Oceano Atlântico, os lagos e o rio formam hoje uma única via marítima (seeway), chamada de Saint Lawrence Seaway, que vai do Oceano Atlântico até o estado de Minnesota, nos Estados Unidos, e o extremo ocidental da província de Ontario, no Canadá, permitindo que estados e províncias que literalmente estão no meio dos Estados Unidos e do Canadá (meio no plano Leste-Oeste) se tornem regiões com acesso ao mar (no caso, ao Oceano Atlântico). Isso é basicamente equivalente e dar a Cuiabá, a Goiânia, a Uberlândia, a Belo Horizonte, etc. acesso ao Oceano Atlântico, chegando nele nas proximidades de Vitória.

A interligação desses lagos e a criação navegável que abrange o Rio Saint Lawrence são um feito de engenharia semelhante ao que envolve a criação do Canal de Suez, por Ferdinand de Lesseps, e o Canal do Panamá, iniciado pelo mesmo Lesseps, que, entretanto, abandonou o projeto, os Estados Unidos assumindo a obra, no governo de Theodore Roosevelt, depois de manobras diplomáticas que envolveram até mesmo a proclamação da independência do Panamá, que pertencia à Colômbia.

A bibliografia que eu recomendo sobre essas construções consiste dos seguintes livros:

CANAL DE SUEZ:

Zachary Karabell, Parting the Desert: The Creation of the Suez  Canal (2003)

CANAL DO PANAMÁ:

David McCullough, The Path Between the Seas (1977)

SAINT LAWRENCE SEAWAY:

Ronald Stagg, The Golden Dream: The History of the St. Lawrence Seaway (2010)

Jeff Alexander, Pandora’s Locks: The Opening of the Great Lakes – St Lawrence Seaway (2009)

Este segundo livro sobre o Saint Lawrence Seaway trata mais do problema ambiental causado pelo fato de que, de uma hora para outra, navios de toda parte do mundo começaram a transitar por lagos no interior dos Estados Unidos e do Canadá trazendo para  esses lagos e para o interior desses países uma fauna totalmente estranha a eles, que causou inúmeros problemas ambientais sérios que se prolongam até hoje (o Seaway foi inaugurado em 1959).

Eis uma foto dos mais de dois mil quilômetros abrangidos pelo Seaway.

Great Lakes and Saint Lawrence Seaway

Deixando de lado as questões históricas, geográficas, geopolíticas e ambientais envolvidas na construção do Saint Lawrence Seaway, voltemos a falar de Cleveland.

Na sexta-feira, saímos de Cortland por volta das 11h da manhã (sendo agora mais preciso) e fomos para Cleveland. Paramos no hotel em Beachwood (Fairview Suites) onde iríamos passar a noite (como de fato passamos) e fomos para a cidade.

Nossa primeira parada na cidade foi o Cleveland Museum of Arts (CMA). Entrada gratuita. Impressionante construção e mais impressionante ainda o acervo. Cleveland é uma cidade relativamente pequena: menos de 400 mil habitantes. Figurou, em 2016, como a 51a cidade americana em população. E, no entanto, tem uma série impressionante de museus. No passado já havia visitado o Museu de História Natural. Hoje, foi o de Artes Plásticas. Quadros de todos os pintores modernos de alguma importância estavam lá, bem como esculturas de Rodin, e outras obras de arte — algumas com vários milênios de idade. Fantástico. Passamos lá quase umas três horas e não vimos nem a metade do acervo.

De lá fomos jantar, perto das 17h. Eles aqui jantam cedo — e, além disso, tínhamos ingressos para um musical às 19h30. Jantamos num restaurante italiano muito gostoso, de comida muito boa, o Guarino’s, que fica na região da cidade conhecida como Little Italy. Tanto a Paloma como eu comemos filé de vitela saltimbocca acompanhado de penne à moda da casa. Muito bom.

De lá fomos para o teatro. Um teatro grande mas, infelizmente, com assentos muito estreitos e uma distancia ridiculamente pequena entre as fileiras: o KeyBank State Theater at Playhouse Square, downtown Cleveland. Assistimos ao musical Love Never Dies, que é um follow-up de The Phantom of the Opera (O Fantasma da Ópera). Confesso que não sou muito chegado a essa forma de entretenimento e nunca havia assistido à peça da qual esta é um prosseguimento. A Paloma, que gosta bem mais de teatro do que eu, já havia assistido o musical original, quando passou em São Paulo — mas eu não: precisei de um briefing. O libreto me ajudou bastante também. Apesar disso, no geral, gostei, em especial pela observação que faço dos cenários, do gerenciamento do palco (stage), da sincronização com a orquestra, do desempenho dos atores (que, por sinal, me pareceu impecável).

Hoje, 20/1/2018, sábado, levantamo-nos, tomamos café, arrumamos nossas coisas e fomos dar um passeio de carro pelo centro da cidade, conhecendo o lugar em que a cidade e o Lago Erie se encontram… Passamos em frente ao estádio dos Indians (time de baseball da cidade), ao estádio dos Browns (time de futebol americano da cidade), e ao ginásio de esportes em que os Cavaliers, time de basketball da cidade, que tem tido excelente desempenho nos últimos tempos, tem tido suas maiores vitorias.

Depois fomos ao Mercado da Cidade. Muito bonito, muito cheio, e com muita variedade de produtos, salgados e doces. Beliscamos um monte de coisas, compramos outro tanto, compramos quatro cebolas gigantescas, falafel, queijos de mais de uma variedade, salame, etc.

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Essa parte que visitamos é a que o governo da cidade está tentando restaurar, roubando-a à barbárie que ali já imperou. Ontem passamos por uma vizinhança de ricos e de suas mansões, bem perto do Museu de Artes. Cada mansão maior do que a outra, todas elas magnificamente enormes. Coisa linda de observar.

Depois do passeio pela cidade, fomos pegar o nosso carro alugado na Budget Car Rental, escritório no aeroporto de Cleveland. Deveremos ficar com o carro até o dia de irmos para Las Vegas, 4/2/2018, daqui a 15 dias. Antes do café da manhã avisei-os de que iriamos pegar o carro um pouco mais tarde (no dia) do que havíamos informado: havíamos informado que o pegaríamos às 10h e o pegamos perto de 15h. Foi tudo extremamente profissional e tranquilo. Não questionaram a carta de motorista brasileira, nem o cartão de crédito brasileiro, nem o fato de eu ter mais de 74 anos, nem o fato de indicarmos dois motoristas, a Paloma e eu. Vi em outras locadoras que motoristas com mais de 70 anos pagavam até 200% a mais, e outras em que o acréscimo de um segundo motorista era cobrado. Saí de lá dirigindo e a Paloma brincando com a eletrônica. Conectou seu iPhone no sistema do carro e não só pode fazer telefonemas “hands free”, como pode ouvir suas músicas no sistema de áudio do carro, usar os endereços da base de dados de Endereços do iPhone para criar um GPS que usa os recursos do Apple Map, etc.

Do aeroporto de Cleveland, voltamos para Cortland, pela Route 422, onde chegamos ao redor das 17h.

Mas antes de chegar em casa paramos no Supermercado Giant Eagle (que foi o primeiro supermercado em que eu fiz compras em Pittsburgh em 1967) para comprar caldo de carne, pão, queijo, suco de laranja, y otras cositas más — como Caninha Pirassununga 51 a USD 16.75 o litro…

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Agora a Paloma está preparando uma sopa de cebola com as cebolas compradas no mercado de Cleveland. Daqui a pouco estará pronta a sopa, uma de minhas favoritas. Comprei pão francês para acompanha-la, devidamente gratinado.

Amanhã, 21/1/2018, domingo, este blog estará no seu trigésimo segundo dia de artigos de existência, pois o primeiro artigo foi publicado em 21/12/2017 e Dezembro tem trinta e um dias. Amanhã, portanto, o blog terá 31 dias para trás — e terá outros 31 dias pela frente, pois só terminará em 21/2/2018, quando de nossa chegada em São Paulo, pois também Janeiro tem trinta e um dias. Assim, amanhã estaremos exatamente na metade de nossas férias (contando os seis dias já passados em São Paulo), pois a viagem, ao todo, irá durar, tudo dando certo, 63 dias – dos quais sete passados em São Paulo (seis no início, depois que saímos de Salto, e um na chegada) e cinquenta e seis em viagem ao exterior. Desses 63 dias, sete teremos passado em São Paulo (no início e no fim) e dezessete em Las Vegas e na região de San Francisco, num subtotal de 24 dias. Os restantes 39 dias passamos com a Andrea, abusando da paciência dela, do John e das meninas… Total: 63 dias (incluindo o dia de saída e o de chegada).

A Paloma tem tido dores de cabeça provenientes de sinusite quase todo dia. Já ganhamos e compramos vários remédios, mas a dor de cabeça, decorrente do congestionamento nasal, continua. Creio que o agravamento da sinusite se deve, em parte, à alternância, não raro várias vezes durante um mesmo dia, entre o calor dentro de casa e o frio exagerado lá fora. Não há sistema que aguente isso fora do habitat natural: quem mora aqui o tempo todo se acostuma. Eu mesmo estou com o nariz extremamente ressecado, o que causa pequenos sangramentos que incomodam bastante. São os ossos do ofício de viajar.

Em Cortland, 20 de Janeiro de 2018 (19h)

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