Dia 21 – 20180110: Um Dia de Transição

Estou escrevendo hoje, dia 10/1/18, quarta-feira, ainda de manhã, sobre o próprio dia 10. Como são 9h da manhã aqui em Cortland, ainda não aconteceu basicamente nada. Mas eu estou acordado desde cerca de 1 da manhã. Fui dormir por volta das 23h45 de ontem, dormi uma hora e pouco, e acordei com a Paloma acordada. Conversamos por uma hora, mais ou menos, ela dormiu e eu vim fuçar nas minhas coisas.

O leitor atento terá percebido que o verbo “fuçar” é muito usado por mim. Sou um indivíduo fuçador por natureza. Gosto de observar as coisas, mexer nelas, ver os livros que existem nas estantes, olhar um de mais perto, depois outro. Quando a casa não é de estranhos, gosto de fuçar na geladeira, mas me contenho: é um fuçar mais de observação.

Ontem passei o dia e, depois, boa parte da madrugada de hoje, botando um pouco de ordem nos meus arquivos, seus backups, nas minhas áreas de Cloud, etc. Devo admitir publicamente que meus dados estavam meio bagunçados, com muita repetição e redundância. Melhor ter mais de uma cópia dos dados importantes do que ser pego sem nenhuma, é o que penso.  A dificuldade é manter a coerência de todas as cópias, para que seus dados pessoais não fiquem brigando uns com os outros.

Essa situação me fez lembrar de quando fui trabalhar na direção do Centro de Informações de Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. Para falar tão somente no Cadastro das Entidades de Saúde (Centros de Saúde, Laboratórios, Hospitais, etc.), a Secretaria do Estado tinha o seu, para todo o Estado, a Secretaria Municipal de Saúde da cidade de São Paulo tinha o seu, para a capital, que não batia com o do Estado. Em nível federal, o Ministério da Saúde tinha mais um cadastro (o terceiro) e o Ministério da Previdência e Assistência Social, ao qual estava vinculado o INSS, e, depois, o SUDS, tinha um quarto. Os dois últimos cobriam o Estado de São Paulo inteiro, e, naturalmente, a capital, mas não batiam nem com o cadastro do Estado nem com o do Município. Caos total. Sofro hoje, no nível pessoal, de algo parecido. Não se trata de escassez de dados, atentem bem: trata-se, isto sim, de excesso de dados que não são totalmente compatíveis… Apesar de haver um ditado que diz “o que abunda não prejudica”, posso dar meu testemunho de que prejudica, sim.

Esta semana está meio conturbada aqui na casa da Andrea. A semana passada foi mais tranquila, porque as meninas estavam com o pai. No domingo vieram para cá, novamente. Alternam: uma semana aqui, outra lá – embora as casas fiquem a 5 minutos de distância. São as vicissitudes da vida moderna. Estando aqui, há a correria da manhã, porque o ônibus de uma passa cerca de 20 minutos antes do ônibus da outra. Às vezes a mãe fica com dó e deixa que elas durmam uns 20 minutos mais. Daí leva uma na escola (nem 5 minutos), depois a outra (também cerca de 5 minutos em outra direção contrária). À tarde há o mesmo problema, em sentido inverso. Chega uma, dali uns 20 minutos chega a outra, em um School Bus diferente (embora todos sejam amarelos, como os que aparecem em filmes americanos da Seção da tarde). Embora o horário aqui seja alegadamente integral, o dia letivo vai de 7h30/8h até por volta das 15h/15h30. Minha neta mais nova, a Madeline, de 12 anos e meio, detesta a escola. Não suporta mesmo. Morro de dó que seja obrigada a frequenta-la. A mais velha é mais disciplinada e não reclama tanto, mas é evidente que frequenta a escola porque é obrigada e não tem como se desvencilhar da obrigação. Eu acho difícil ficar sentado por uma hora para assistir a uma palestra ou a um sermão, imaginem só ficar sentado várias horas por dia. Ninguém merece essa sentença.

Cada vez me convenço mais que a solução para o desafio educacional passa pela desescolarização da educação. O trabalho que vou apresentar na California o mês que vem tem o título de “Deschooling Education or Reinventing the School?” Defendo uma linha socrática e illichiana mas com mídias e redes sociais.

Hoje à noite faço uma breve transição: vou para Cleveland, onde dormirei num hotel ao lado do aeroporto, para pegar o voo para Toronto, às 6h15 da manhã, e, de Toronto, para Calgary, no Canadá. Fico o fim de semana em Calgary. Na segunda-feira cedo estarei aqui de volta. Vou aproveitar umas raspas de milhagem para visitar um primo meu, que mora lá. Estamos ambos na casa dos setenta, e, por isso, precisamos aproveitar as oportunidades que surgem para nos encontrarmos, antes que Joe Black apareça… (Quem não entender a referência, leia o resumo do filme “Meet Joe Black” no http://imdb.com — um site magnífico, que pertence à Amazon. Em Português o filme se chama “Encontro Marcado”. É com o Brad Pitt e a lindésima Claire Forlani). Assim, como as milhas só davam para um, o primo, e septuagenário, sou eu, e ainda temos muito tempo de viagem, infelizmente vou sozinho, para não descontrolar nosso orçamento. Vou sentir muita falta da minha metade, porém. Quando voltar vamos alugar um carro para dar umas voltas pela região, que é muito bonita. Acho o Oeste da Pensilvânia mais bonito do que o Leste de Ohio, por causa das montanhas, as famosas Allegheny Mountains, que beiram Pittsburgh ao Norte e Leste.

Vou parando por aqui. Possivelmente acrescente um adendo ao final do dia, escrevendo de Cleveland.

Ia me esquecendo que hoje ainda tenho de pagar o aluguel e o condomínio do apartamento da Priscilla, nossa caçula, em Botucatu… Prizoca, pensando nocê aqui. Um beijo.

ADENDO, às 21h:

Estou na Ramada Inn at Cleveland Hopkins Airport. O John, namorado da Andrea, me fez a gentileza de me trazer. O hotel é nada mais do que adequado. A grande vantagem é que tem um shuttle 24 horas por dia para o aeroporto. Já reservei para amanhã cedinho.

Vendo na TV um programa de standup comedy. Não acho muita graça, mas nào tem nada melhor.

A temperatura esquentou bastante. Estava 11 graus centígrados quando estava vindo. Essa temperatura é mais quente do que a do sítio em Saldo nos bons dias de Inverno…

Estava fechando este adendo quando apareceu na tela da TV um “Storm Warning” para toda a região, por volta de 4h da manhã. A mudança quase abrupta da temperatura deve ter causado isso.

Em Cortland, 10 de Janeiro de 2018.

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