Brasileira sendo brasileira…

Gosto de escrever artigos quando tenho algo para dizer, uma história para contar. Não gosto de escrever por obrigação, burocraticamente. Às vezes é inevitável, mas não é o caso quando estamos falando de um Blog de viagem, não é mesmo? Por isso demorei para escrever de novo…

Nos últimos dias experimentamos o frio mais intenso pelo qual já passei em minha vida. Felizmente estamos bem agasalhado e não precisamos sair todos os dias, podendo desfrutar do calor do aquecimento central, dos cobertores e até da lareira da casa da Andrea.

Dentro de casa temos convivido com o Gus e a Hazel (nomes dos personagens do livro “A Culpa é das Estrelas”), o casal de gatos que a Andrea tem. Eles são muito curiosos… O Gus é mais jovem, tem apenas 2 anos. Já a Hazel é uma senhora mal humorada, de poucos amigos. Nem para a Andrea ela costuma dar muita trela… Esses dias ela começou a aceitar uma distância inferior a 2 metros de mim. Eu disse para a Andrea que achava que ela estava começando a gostar de mim. A Andrea me disse que ela continuaria gostando se eu não me aproximasse dela além dessa distância… 🙂

Já o Gus é mais caloroso, com um jeito mais… digamos… brasileiro de ser… (já já eu explico melhor esse jeito). No primeiro dia ele ainda estava meio reticente, ficou me observando, me avaliando. Em pouco tempo, no entanto, ele já era meu amigo. Quando quer carinho chega perto e pede. Gosta de comer o que a gente está comendo. Sobe na cadeira e fica olhando com aquela cara irresistível de “me dá um pouco”. Eu que nunca fui muito chegada a gatos, acho que estou derretida pelo Gus… ❤

Mas deixe-me explicar essa referência que fiz a esse jeito meio brasileiro de ser…

No dia que cheguei aqui na casa da Andrea, conheci a Sidney, melhor amiga da Olivia e filha do John, namorado da Andrea. Já tinha ouvido falar bastante dela, e já gostava dela, sem nem conhece-la. Esse é um desses fenômenos das redes sociais. Temos tanto contato no mundo virtual, mesmo que seja unilateral (ela nunca tinha ouvido falar a meu respeito), que a gente se sente íntima da pessoa… Se brasileiro normalmente nem precisa de tanta intimidade para sair abraçando e dando beijo, imagine com alguém que eu já “conhecia bastante”? Tinha até comprado um chinelo Havaiana para ela! 🙂

Pois bem, chegamos e ela estava na cozinha com a Olivia. Eu rapidamente entrei e tasquei-lhe um abraço e um beijo. Para ajudar, eu ainda tropecei em alguma mala que estava no chão, e quase caí no abraço com ela… Ela ficou absolutamente rígida, me olhando meio assustada! Eu não sabia, mas aqui isso, definitivamente, não é comum… Nunca tinha me tocado disso porque sempre que eu venho para cá, ou me encontro com os parentes, com os quais temos intimidade, ou não saio abraçando as pessoas, porque elas me são desconhecidas. Mas dessa vez foi diferente… Imagino o esforço que a coitadinha teve que fazer para não sair correndo me chamando de louca…

Como se não tivesse sido suficiente esse meu primeiro mico, quando fui conhecer o Kent, filho do John, paguei o segundo. Mas dessa vez foi diferente… Resolvi ser mais comedida e dar apenas um beijo no rosto dele ao sermos apresentados. Nada de dois ou três beijinhos. Era para ser um só. Discreto. Contido. Sem abraço! Kent, no entanto, ficou estático, afastado de mim, enquanto eu fiquei naquela clássica e constrangedora posição de vácuo, inclinada no ar, com um leve biquinho na boca… Ele ficou me olhando com uma cara de quem realmente não estava entendendo minha posição. Em seu jeito americano de ver o mundo, ele sequer podia imaginar que eu, uma completa estranha, estava querendo osculá-lo… O John rapidamente explicou a minha posição, dizendo que no Brasil é comum as pessoas darem um beijo quando se conhecem. Ele então…, continuou na mesma posição, só me olhando… Eu rapidamente me recompus e dei risada (como eu sempre faço após pagar um mico). Prometi a ele que iria me comportar dali em diante. E tenho feito isso…

Confesso que acho bem estranho cumprimentá-los com um tímido “hi” e me despedir com um discreto “bye”, cada vez que a gente se encontra. Mas estou me comportando, conforme prometi… Pelo menos enquanto estiver aqui. Deixa só eles irem para o Brasil para eles verem o que vai acontecer… 🙂

Em Cortland, 08 de Janeiro de 2018.

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