Dia 16 – 20180105: Leituras

No dia 5 de Janeiro (Sexta-feira) resolvemos ficar em casa o dia inteiro. O tempo lá fora estava muito frio para a gente decidir sair por sair, sem ter coisa importante para fazer lá fora. Paguei várias contas que vencem no dia 5, paguei os caseiros do sítio, etc.

Depois fiquei lendo e fuçando na Internet (mais lendo do que fuçando).

Dos livros que li (pedaços aqui e ali) destaco Steven Pinker, Sense of Style: The Thinking Person’s Guide in the 21st Century. Aproveitei para escrever um artigo sobre o assunto em meu outro blog, o Chaves Space. O título do artigo é “Linguagem: Estilo, Gramática, Retórica…”. Os leitores interessados podem consulta-lo no seguinte endereço:  https://chaves.space/2018/01/05/linguagem-estilo-gramatica-retorica/.

Outro livro que li (também em pedaços, como geralmente faço) foi Lessons from a Lemonade Stand: An Unconventional Guide to Government, de Connor Boyack. Foi uma grata surpresa. É uma excelente introdução ao Liberalismo Clássico, do tipo “Laissez-Faire”, escrito em linguagem simples que até uma criança consegue entender. Começa discutindo coisas básicas, como “Por que temos governo?”, “O que é essencial que um governo faça?”, “O que um governo não deve fazer?”, “O que distingue uma lei legítima de uma ordem arbitrária de um ditador?” “Qual a relação entre lei e direitos?”, “Existem, como hoje se alega, ‘direitos sociais’, como direito ao emprego, direito à educação, direito à saúde?”. E assim vai. Ele é recheado de exemplos reais como o confisco de um carrinho de venda de limonada comandado por crianças, e a aplicação de multa aos pais, numa cidade relativamente pequena em um feriado porque as crianças não tinham tirado um alvará que custava 500 dólares – muito mais do que era sensato esperar que seria a receita bruta delas… Não é um livro longo e se concentra nos essenciais. Estou vendo com meu sobrinho, Vitor Chaves de Souza, que tem uma editora, se o livro está disponível para tradução para o Português. Até me dispus a traduzi-lo. É um livro importante para o Brasil no momento presente.

Um terceiro livro do qual li alguns capítulos e vários trechos aleatórios foi Touchstone: Essays on Literature, Arts and Politics, de Mario Vargas Llosa. Os ensaios foram selecionados e traduzidos para o Inglês por John King. Muito bom. Ele discute, entre outras coisas, a Copa de 1982 na Espanha e outros eventos de conhecimento generalizado. É bom ver o grande escritor, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, discutir eventos do cotidiano, resenhar livros da concorrência (a ele – outros autores famosos), etc.

Por fim, li bons pedaços de Thinking the Twentieth Century, o último livro de Tony Judt. O livro acabou sendo editado e publicado por Timothy Snyder e reflete a análise, por vezes mordaz, de um homem que sabe que está morrendo, dos eventos que foram objeto de seu estudo durante toda a sua vida: a história do século 20 – em especial na Europa.  Embora em geral não perca tempo com historiadores de esquerda, como Eric Hobsbawn, acho o caso de Tony Judt um caso à parte. Não que ele não tenha e admita uma certa queda para a esquerda. Mas ele é um historiador no verdadeiro sentido do termo. Reconhecendo suas biases, ele tenta ser absolutamente imparcial e justo em suas análises, mesmo sabendo que esses ideais são, no limite, inalcançáveis. Popperianamente, ele acredita que o fato de um ideal ser inalcançável em sua totalidade não significa que não devamos batalhar para alcança-lo. Popper defende essa prática em relação à verdade na ciência. Judt, em relação à história, em especial à imparcialidade e à objetividade do historiador.

Recomendo a leitura desses quatro livros. O primeiro trata da linguagem, o segundo da política e da economia do cotidiano, o terceiro discute, de um lado, fatos do dia-a-dia, como a Copa do Mundo, e, de outro lado, livros de grande profundidade, como Heart of Darkness, de Joseph Conrad, e o quarto é uma visão geral, a bird’s eye view, do século 20 por algum que o viveu, estudou e, antes de morrer, tentou dele fazer uma grande síntese.

No processo, revelei meu estilo de leitura. Sempre tenho quatro ou cinco livros do meu lado – ou, então, o meu Kindle, que tem cerca de dois mil livros… Raramente leio um livro só, de capa a capa. Eu o leio aos pedaços — e em paralelo com outros livros. Leio primeiro a Introdução, a Conclusão, capítulos esparsos. Largo aquele livro e faço o mesmo com outro. Por vezes algo que leio me desperta a atenção e vou procurar (e às vezes comprar na Internet) um outro livro que trata do assunto. Anoto observações diversas nos livros, sublinho-os e os marco todos, escrevo anotações em meus inúmeros cadernos, uso o OneNote da Microsoft para transcrever trechos mais longos sobre assuntos específicos. Tenho memória boa sobre onde achar as coisas interessantes que li. As não interessantes não importam tanto – a não ser, ocasionalmente, como exemplos negativos e casos de horror.

Em suma: aproveitei bem meu dia lendo. Recomendo os livros, caso eles suscitem o interesse dos leitores.

Em Cortland, 6 de Janeiro de 2018.

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