Dia 11 – 20171231: Último Dia do Ano

Comecei a escrever esta crônica no próprio dia 31/12, de manhã (cerca de 7h30, hora local), antes mesmo de tomar café da manhã… Daí fui convocado a descer e tomar café – e perdi o controle, fazendo pequenas coisas aqui e ali…

Volto a escrever somente hoje, 2 de Janeiro de 2018, por volta das 17h, depois de ser seriamente chamado à responsabilidade pela minha irmã caçula, que me disse que estava deixando todo muito que acompanha meu diário de bordo preocupado com minha ausência. Ela queria saber se eu estava doente, se havia sido sequestrado, ou algo semelhante…

O que houve foi nada fantástico e bastante comum…

Enquanto a Andrea e a Paloma iam até o supermercado (Sam’s Club), o John começou a preparar o almoço para a gente poder assistir, tranquilamente, às 13h (hora local), o jogo dos Steelers contra os Browns – o meu time (de Pittsburgh) contra o time dos vizinhos aqui de Cleveland. O almoço que ele estava preparando é chamado aqui de Sloppy Joes, que a Paloma prontamente batizou de “Zés Bagunçados”. É uma carne moída com alguns molhos que você usa para fazer sanduíches ou para misturar com arroz e outras coisas e comer. É uma comida “sloppy”, bagunçada, porque, se você faz sanduíche, o conteúdo do dito cujo costuma escorrer pelas suas mãos, quando não pelo seus braços, deixando tudo uma beleza de sujeira… Quando o tal Sloppy Joe é comido no prato, com arroz, usando-se o garfo, é bem menos sloppy, razão pela qual dou minha preferência a essa alternativa.

Acontece que, quando o jogo estava para começar, a Andrea chegou com a Paloma do mercado, onde havia ido comprar algumas coisas para a casa e para a festinha que estava preparada para a noite – e descobriu que estava com um pneu furado. O coitado do John, bom cavalheiro à moda antiga, parou de fazer o Sloppy Joe e saiu atrás de alguém que consertasse o pneu – domingo, último dia do ano, na hora do almoço, minutos antes de começar o grande derby regional de futebol americano. (Grande derby regional apenas pela tradição, porque neste ano, antes de começar o jogo, Pittsburgh estava com 12 vitórias e 3 derrotas e Cleveland com 0 vitórias e 15 derrotas!). O resultado foi que ele perdeu a maior parte do jogo e eu acabei assistindo ao jogo sozinho. Comi um sanduíche de Sloppy Joe no prato e consegui não me sujar muito. Quanto ao John, felizmente, conseguiu reparar o pneu no Walmart, porque seu padrasto trabalhava lá e deu um jeito de encaixar o carro da Andrea – e, além disso, consertou o pneu sem cobrar nada! Brinde de fim de ano…

Quanto ao jogo entre os Steelers e os Browns ele foi, a meu ver, uma vergonha total. Fiquei decepcionado. O jogo de futebol americano é dividido em quatro pedaços ou tempos (chamados “quarters”) de 15 minutos (jogados, não corridos). E mede-se a progressão dos times em termos de jardas ganhas correndo com a bola na mão ou arremessando a bola para uma recepção bem sucedida. No início do segundo quarto de jogo, passados cerca de 18 minutos da partida, Pittsburgh estava ganhando por 14 a 0, tinha cerca de 250 jardas conquistadas contra um número levemente negativo de Cleveland. Parecia que, a continuar desse jeito, Pittsburgh, que estava jogando com um time quase totalmente reserva, iria ganhar por uns 50 a 0. Mas daí começou a palhaçada. Pittsburgh derrubou a bola (fumbled), que foi apanhada por Cleveland, Pittsburgh arremessou a bola para os braços de um jogador de Cleveland (interception), o time de Pittsburgh tentou oito vezes andar cerca de cinco jardas para conquistar mais seis pontos e não conseguiu, tendo de entregar a bola para Cleveland sem fazer nenhum ponto… Por outro lado, Cleveland conseguiu fazer um arremesso bem sucedido da bola por quase 70 jardas que acabou virando sete pontos e, além disso, um jogador de Cleveland  retornou um chute de Pittsburgh por 96 jardas (virtualmente a extensão inteira do campo) sem que nenhum pittsburghense conseguisse interromper a sua carreira, para mais sete pontos, empatando o jogo… Se vontade valesse alguma coisa, eu teria jogado minha garrafa de cerveja na tela. (A cerveja era Miller Gold, que se descreve como a champanhe das cervejas…).

Se fosse no Brasil, eu diria que Pittsburgh estava comprado. Sendo aqui… eu fiquei convencido da mesma coisa. Mas logo depois do empate, Pittsburgh chegou a 21, mas Cleveland também chegou a 21. Daí Pittsburgh chegou a 28, e Cleveland só chegou a 24… E assim ficou. Os últimos quinze minutos do jogo foram uma monótona tentativa de não deixar o resultado ser alterado, com palhaçadas de ambos os lados. Cleveland poderia até ter ganho o jogo se um de seus principais jogadores não tivesse cometido um erro bisonho não conseguindo segurar uma bola facílima.

Enfim: o jogo terminou com Pittsburgh ganhando por 28 a 24 e Cleveland terminando o campeonato com um vergonhoso recorde negativo de 0 a 16. Desde 1944 só três times haviam conseguido a façanha de terminar o campeonato sem ganhar nenhum jogo, e Cleveland agora é o quarto time a fazer parte desse seleto grupo.

À noite umas amigas da Andrea vieram aqui com seus maridos e filhas (nenhum menino – porque aqui em casa só temos meninas). Cada uma trouxe algo de comida e bebida e todo mundo se divertiu com muito barulho e bagunça: línguas de sogra, apitos, tiaras na cabeça, etc. Não sou muito chegado a esse tipo de celebração, mas fiquei indo e vindo entre meu quarto, onde mexia no computador, e a sala. Muitas fotos foram tiradas, em especial na hora da passagem do ano. Depois tentarei colocar umas fotos e uns vídeos aqui.

Mas aqui já vai uma, retirada do Facebook:

Ressalto o conteúdo da legenda. Este réveillon de 2017-2018 é o décimo que a Paloma e eu celebramos juntos… O primeiro, o de 2008-2009, passamos, só nós dois, em Paris, ao pé da Torre Eiffel, num frio danado… O terceiro, de 2010-2011, na região de Lisboa, em Portugal, num clube em Almada, com nossa amiga Luiza de Marilac Amorim… O quinto, de 2012-2013, em Praga, República Tcheca, na Karlbrücke (Charles Bridge), com nossa amiga Sílvia Klis… O sétimo, de 2014-2015, em Ushuaia, Argentina, com minha irmã Eliane e meu cunhado João, e com a nossa filha Bianca junto… O nono, de 2016-2017, em Bruxelas, Bélgica, junto com nossas filhas Bianca e Priscilla… E, finalmente, este, aqui, de 2017-2018, em Cortland (Ohio), com a minha filha Andrea, o John, namorado dela, a Madeline, minha neta mais nova (a outra neta, a Olivia, estava com o pai dela), e várias amigas da Andrea, com as filhas e os maridos… Este foi o primeiro Réveillon que passamos fora do país numa combinação de anos ímpar-par. Onde será que estaremos no ano que vem? Os anos que não passamos fora do país passamos ou em Ubatuba (de 2009-2010 e 2011-2012), na casa dos pais da Paloma, ou em casa, no sítio, o de 2013-2014, também com a Andrea e a família dela, e o de 2015-20016, com a nossa filha Priscilla e a amiga dela, Larissa.

Aqui vai um vídeo do nosso Réveillon:

 

Paro por aqui porque ainda tenho de escrever a crônica do dia primeiro e a de hoje, dia 2/1/18…

Antes de encerrar, porém, transcrevo, em sua inteireza, o que a Wikipedia diz (em Inglês) no verbete “Réveillon”… Vai surpreender muita gente que se entregar ao trabalho de ler o verbete inteiro. Surpreendeu a mim.

“In Belgium, France, Brazil, in the Canadian provinces of Quebec, Ontario and New Brunswick, the city of New Orleans, and some other French-speaking places, a réveillon is a long dinner held on the evenings preceding Christmas Day and New Year’s Day. The name of this dinner is based on the word réveil (meaning “waking”), because participation involves staying awake until midnight and beyond. In Portuguese-speaking countries, it is also a designation for the party preceding to the New Year’s Day. In the United States, the réveillon tradition is still observed in New Orleans due to the city’s strong French heritage, with a number of the city’s restaurants offering special réveillon menus on Christmas Eve.

The food consumed at réveillons is generally exceptional or luxurious. For example, appetizers may include lobster, oysters, escargots or foie gras, etc. One traditional dish is turkey with chestnuts. Réveillons in Quebec will often include some variety of tourtière.

Dessert may consist of a Yule log, known as a bûche de Noël. In Provence, the tradition of the thirteen desserts is followed: thirteen desserts are served, almost invariably including: pompe à l’huile (a flavoured bread), dates, etc.

Quality wine is usually consumed at such dinners, often with champagne or similar sparkling wines as a conclusion.

There are certain traditional differences of character between the Christmas and New Year’s Day réveillons.

Christmas is traditionally a Christian occasion, celebrated within the family, and this family character is retained even among non-believers.

The New Year’s Eve, or Saint-Sylvestre, réveillon, on the other hand, is commonly a party with friends, etc. People may also go out to a cabaret show, or watch live relays of such shows on television.”

Em Cortland, crônica iniciada em 31 de Dezembro de 2017 – último dia do ano – e terminada em 2 de Janeiro de 2018, já no fim do segundo dia do ano seguinte…

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