Dia 08 – 20171228: Primeiro Dia Inteiro em Cortland

Agora de manhã (são 6h30, hora do Brasil, 3h30, hora local aqui em Corland) vou discutir rapidamente duas questões:

1) A Questão do TSA Pre

Começo com algo levantado no artigo da Paloma, o TSA Pre✓®, que ela obteve, e eu não, quando compramos a passagem, diretamente da United. E ela obteve sem que a gente pedisse qualquer coisa e sem que a gente pagasse qualquer valor.

A amiga de infância minha filha Patricia Chaves, Flavia Macuco Pecego, que eu conheço desde meninha, e que mora agora nos Estados Unidos, esclareceu: “O Eduardo pode ter o TSA Pre também, vale por 5 anos e custa $85,00! Tem cidadania americana também? Veja abaixo. Eu tirei e já sai impresso nos meus tickets.”

Ela (a Flávia) gentilmente forneceu o seguinte link: https://www.tsa.gov/precheck, onde se diz:

“Keep moving. TSA Pre✓® saves you time and stress. With a 5 year, $85 membership, you can speed through security and don’t need to remove your: shoes, laptops, liquids, belts and light jackets. Available to US citizens, nationals and LPRs”.

LPR quer dizer Legal / Lawful Permanent Resident: pessoa que possui um green card, e que, portanto, tem status de imigrante, ou seja, de pessoa autorizada a viver e a trabalhar nos EUA permanentemente.

Mas, para mim, o ponto de maior curiosidade é por que o TSA Pre✓® saiu na reserva da Paloma (apenas) sem a gente pedir ou pagar qualquer coisa que fosse — quando as duas passagens, a dela e a minha, foram compradas ao mesmo tempo e nas mesmas condições. O esperado, assim, pelo menos na minha forma de entender, não era que saísse para os dois – era que não saísse para ninguém, dado que ninguém pediu ou pagou (e, portanto, esperava) nada.

Se alguém nos ajudar a resolver esse mistério, ficaremos gratos. Está fazendo cócegas na nossa mente, como dizia o Rubem Alves.

2) A Questão dos Livros que Havia Comprado

Havia quatorze livros esperando por mim aqui e um que, comprado, ainda não chegou…

Os oito livros seguintes foram comprados na Amazon, ou por intermédio dela, de modo que a data de entrega está bem documentada (aqui listada da mais recente para a mais antiga). Quase todos os livros (exceção no caso do primeiro listado) eram usados, estavam esgotados na editora e/ou representavam edições (como a primeira edição em capa dura de um livro famoso, como é o caso do quarto livro) de difícil acesso.

  1. William L. Shirer, The Rise and Fall of the Third Reich: A History of Nazi Germany (chegou em 20171219)
  2. Jean-Jacques Rousseau, The Emile of Jean Jacques Rousseau: Selections – Série “Classics in Education” (chegou em 20171215)
  3. Hans J. Hillerbrand, The Protestant Reformation (chegou em 20171215)
  4. Jean-Francois Rischard, High Noon: 20 Global Issues, 20 Years To Solve Them – Hardcover (chegou em 20171214)
  5. Frederick Eby and Charles Flinn Arrowood, The development of modern education in theory, organization and practice (uma preciosidade!) – chegou em 20171205
  6. Friedel Kriechbaum, Grundzuge der Theologie Karlstadts: Eine systematische Studie zur Erhellung der Theologie Andras von Karlstads (eigentlich Andreas Bodenstein 1480-1541), aus seinen eigenen Schriften entwickelt (chegou em 20171124)
  7. Alister E. McGrath, Doubting: Growing Through the Uncertainties of Faith (chegou em 20171110)
  8. Walter P. Weaver, The Historical Jesus in the Twentieth Century: 1900-1950 (chegou em 20121109)

Os seguintes seis livros foram comprados pela Abe Books, empresa de comercialização de livros usados (um mega-sebão) que foi comprada pela Amazon, mas ainda opera (em parte) independentemente, não sendo possível determinar, de longe, quando os livros chegaram:

  1. Williston Walker, A History of the Christian Church – 3rd ed. (relíquia – só me faltava esta das quatro edições existentes em Inglês) – chegou em ? (Abe Books)
  2. Robert Herndon Fife, The Revolt of Martin Luther (raridade) chegou em ? (Abe Books)
  3. George L. Hunt & John T. McNeill, editors, Calvinism and the Political Order  (raridade) chegou em ? (Abe Books)
  4. Marcellus Kid, Church & State: The Story of Two Kingdoms (raridade) chegou em ? (Abe Books)
  5. Ernst Bloch, Thomas Münzer als Theologe der Revolution (uma preciosidade) – chegou em ? (Abe Books)
  6. Walter Bauer, Orthodoxy and Heresy in Earliest Christianity (uma preciosidade) chegou em ? (Abe Books)

O décimo quinto livro, que ainda não chegou, é:

  1. Peter Buckman, Education without Schools (já foi enviado, mas não chegou ainda)

Esses livros que eu comprei estando no Brasil mas pedi para enviar para cá revelam um pouco de minha obsessão com livros.

Primeiro, quase todos são usados. Só compro livro usado quando o novo não está mesmo disponível, porque eles em geral tem um “defeitinho”: ou o nome do prévio proprietário, ou sublinhados e anotações, ou pequenos danos no dorso ou nas capas.

Segundo, são vendidos em sebos (não raro via a Amazon), têm preço razoável (até mesmo barato), mas um custo elevado para remeter para o Brasil (maior do que o da própria Amazon) — e, frequentemente, um custo baixo ou nulo para despacho dentro dos Estaddos Unidos. Como vinha para cá, comprava e mandava para cá.

Terceiro, assim, senti-me à vontade para satisfazer alguns caprichos. Por isso, e por exemplo, comprei A History of the Christian Church, de Williston Walker, que é um livro texto clássico na área. Em 1967-1970 estudei História da Igreja nele no Pittsburgh Theological Seminary — na segunda edição, que tenho toda marcada, sublinhada, anotada. Enquanto em Pittsburgh ainda, quando trabalhava na Biblioteca, consegui comprar por 0,50 de dólar a primeira edição, que é do início do século. A segunda, em que estudei, já é revisada e expandida. Quando comecei a dar aula de História da Igreja na FATIPI comprei a última edição, a quarta, que é bastante expandida, além de novamente revisada e corrigida. Assim, só me faltava a terceira, que era bem difícil de achar. Quando achei, por cerca de sete dólares, não hesitei. Assim tenho as quatro edições, algo que pouquíssima gente tem no mundo. Na verdade, tenho quase certeza que, em se tratando de pessoa física, talvez ninguém mais, além de mim, tenha as quatro edições. Isso me dá uma sensação gostosa no meu relacionamento amoroso com o livro… 🙂

Possivelmente escreva um adendo também para este artigo ainda hoje ou amanhã de madrugada. Quem viver, verá.

3) Anexo Escrito Mais Tarde no Mesmo Dia 28

Hoje resolvemos ficar em casa e “relax” – exceto à noite, quando vamos sair para jantar na casa da mãe da Andrea. Uma coisa boa de vir para ficar aqui por um período mais estendido é que a gente não sente aquela pressão de sair para ir ao shopping, à Best Buy, à Loja da Apple, etc. etc., comprar coisas. A gente tem tempo pra fazer essas coisas.

Estou aqui mexendo no Facebook, corrigindo uma coisa ou outra nos blogs (sempre passam erros ou expressões que podem ser melhoradas – gosto de blogs porque você sempre pode editar, corrigir, melhorar o texto), mexendo nos livros recém-chegados em minhas mãos, atualizando o meu tablet Fire da Amazon com os meus quase dois mil livros do Kindle, etc. Temos coisa para fazer. A Andrea saiu “to run some errands”, como diz, as meninas estão aqui conosco, uma ainda dormindo. Uma vai sair (a Olivia / Liv) e a outra vai receber uma amiga (a Madeline / Maddie).

Hoje é o penúltimo dia útil do mês. Amanhã será o último. Na minha opinião, 2017 está longe de ter sido o melhor ano dos últimos tempos, mas também poderia ter sido muito pior do que de fato foi. Parece ter sido um ano que não andou quase nada para frente, mas também não retrocedeu. Aprendi, com a idade, a não olhar a realidade em comparação com o melhor dos mundos imagináveis. Temos de compara-la, como dizia Leibniz, e Voltaire criticando Leibniz, com “o melhor dos mundos possíveis”, sabendo que o melhor dos mundos possíveis muitas vezes está longe do ideal ou da perfeição ou do ideal de perfeição que temos.

A gente gostaria de passar o tempo todo, ou, pelo menos, ocasiões especiais como o Natal e o Ano Novo, junto de todos os filhos e netos, bem como, no caso dos que ainda os têm, juntos dos pais e avós – pelo menos. No passado isso era possível. Hoje, com o espalhamento das pessoas, nós, a Paloma e eu, temos quatro filhas, no total, mas cada uma morando em uma cidade: aqui em Cortland, em Campinas, em São Paulo e Botucatu. É o mais próximo de um milagre que tenhamos passado o fim de semana com uma (a Patrícia, junto do namorado e dos filhos, o dela e os do namorado), a semana que antecedeu o Natal com outra (a Priscilla, em casa), a Véspera de natal com os pais e uma irmã da Paloma (e alguns dos filhos dessa irmã), o Dia de Natal propriamente dito com a Priscilla e a Bianca, bem como com os dois irmãos da Paloma e alguns de seus filhos e um casal de amigos com o filho, e agora estamos com a Andrea e as filhas dela (e on-and-off o namorado e os filhos do namorado – e até a mãe da Andrea). No dia 21 de dezembro fui visitar meu irmão Flávio, que havia feito anos no dia anterior, e lá encontramos a mulher dele e nossa irmã mais nova, a Eliane, com o marido, João. Infelizmente os filhos dos três não estavam, nenhum deles, lá, nem os filhos de um dos filhos do Flávio. Minha irmã Priscila também não estava lá. Isso tudo é o que é possível – e, dentro do possível, este é o melhor dos mundos. Não adiante ficar lastimando os mundos que não foi possível concretizar: é desfrutar o que, dentro do possível, é o melhor.

Este é o meu sermão de hoje.

Talvez ainda volte. Não é nem meio-dia em Cortland ainda. Mas não prometo. Meus livros estão a me exigir atenção.

Em Cortland, 28 de Dezembro de 2017

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