Dia 02 – 20171222: Pittsburgh, 50 Anos Depois

Um ano atrás, neste dia, a gente (a Paloma, as meninas e eu) estávamos saindo para nossa viagem de férias nos chamados Países Baixos (Bélgica, Holanda e Luxemburgo), com incursões nos dois países vizinhos mais importantes (França, no Oeste, e Alemanha, no Leste) e com uma rápida visita de três dias à Suíça (nas montanhas Jura, almoçando no Restaurante Piz Gloria, que fica no Schilthorn – o ponto mais alto da viagem, tanto no sentido figurado como no literal…).

Este ano a viagem de férias é para os Estados Unidos – mas só vamos a Paloma e eu. Vamos ficar, a maior parte do tempo, na casa de minha filha, no Leste do Estado de Ohio, perto de Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia, que é o lugar em que eu estudei de 1967 a 1972, e que acho um local muito bonito e agradável. Na verdade a região é chamada de região dos Três Estados, porque abrange também uma pontinha do estado de Virginia Ocidental (West Virginia). Essa região, banhada pelo Rio Ohio, que é formado, em Pittsburgh, pela junção de dois outros rios, o Rio Allegheny e o Rio Monangahela. O Vale do Ohio é chamado de “O Vale Presbiteriano”. O Rio Ohio é o maior tributário, em termos de volume, do famoso Rio Mississippi, imortalizado por Mark Twain). Em seu ponto mais largo, o Rio Ohio tem mais de uma milha (cerca de 1.620 km) de largura.

Uma de minhas prioridades, se possível a ser executada ainda este ano, em que faz 50 anos que fui estudar em Pittsburgh, é levar a Paloma para conhecer a cidade. É uma cidade que ainda é chamada de “Cidade do Aço” (Steel City), por ser a sede da U.S. Steel, que foi a maior fabricante de aço dos Estados Unidos, controlada pelo americano mais rico na passagem do Século 19 para o Século 20, Andrew Carnegie, que semeou bibliotecas por tudo quanto é cidade nos Estados Unidos. Ele atuou, também, de forma generosa, na área da educação e das artes, em geral. A cidade possui três grandes universidades de projeção nacional. A mais famosa, aquela em que obtive meu doutorado, é a University of Pittsburgh, chamada carinhosamente de Pitt. Mas a Carnegie-Mellon University também é muito famosa, na área tecnológica, figurando ao lado do Massachusetts Institute Technology (MIT), de Cambridge, MA, e o California Institute of Technology (CalTech), de Pasadena, CA, e a Duquesne University, católica, também é bastante bem conceituada. A Pitt, fundada em 1787, é célebre (entre outras boas razões) por seu edifício sede, a Catedral do Aprendizado (Cathedral of Learning), um magnífico prédio de 40 andares, em cujo andar térreo, com um pé direito gigantesco, há salas decoradas por vários países, e um saguão, com aparência medieval, que é uma espécie de sala de estar usada por professores, alunos e visitantes. Além da Catedral há também a Heinz Chapel (Capela Heinz), esta sim, uma real capela para cultos religiosos, uma maravilha gótica doada à universidade pelo industrial H. J. Heinz, de Pittsburgh, como Carnegie. Heinz tornou-se o “papa” do ketchup e da mostarda. Sua empresa foi adquirida recentemente por Lemann e sócios… Outro prédio famoso, este um “quadradão”, mais clássico, é a Biblioteca.

Eis algumas fotos da Catedral, da Capela e da Biblioteca (com preferência para a primeira) — prédios entre os quais eu vivi bastante, com muita frequência nos anos de 1970 a 1972:

Cathedral of Learning PittsburghCathedral of Learning-02Cathedral of Learning-03Cathedral of Learning-04Cathedral of Learning-06Heinz Chapel, Pittsburgh, PA

Pittsburgh tem uma belíssima Orquestra Sinfônica e times esportivos de primeira linha, como os Steelers (futebol americano), o time mais vezes campeão do Superbowl dos Estados Unidos, os Pirates (baseball), os Penguins (hockey), etc. Os Panthers, de futebol americano universitário, tem tido altos e baixos representando Pitt.

Mas, mais do que a universidade, em Pittsburgh, foi o seminário de lá que me marcou. Passei, ao todo, cinco anos na cidade. Nos três primeiros, de 1967 a 1970, estudei no Seminário, fazendo o Mestrado, e dois anos e pouco na Universidade, fazendo o Doutorado. Mas todo o tempo eu morei num apartamento dentro do Seminário e continuei a trabalhar (quatro horas por dia, das 18 às 22h) na Biblioteca do Seminário. Assim, mesmo o tempo que passei na Universidade,  foi tempo também vivido no Seminário. O Pittsburgh Theological Seminary é um dos seminários mais antigos da Igreja Presbiteriana Americana. Foi fundado antes do Princeton Theological Seminary, que se tornou mais conhecido. Princeton foi criado em 1812, meio como anexo teológico à Princeton University, e sempre ficou ali, em Princeton, NJ, não tendo mudado de cidade nem se fundido com outro seminário. O meu seminário, o de Pittsburgh, foi fundado em 1794, dezoito anos antes de Princeton, como uma escola de formação de pastores que mudou várias vezes de lugar e que se fundiu com várias outras instituições para se tornar o que é hoje. A última fusão aconteceu em 1959, oito anos antes de eu chegar lá, quando o Pittsburgh-Xenia Theological Seminary, de uma denominação presbiteriana, a United Presbyterian Church of North America, se fundiu com o Western Theological Seminary, de outra denominação presbiteriana, a Presbyterian Church in the United States of America, em decorrência da fusão das duas denominações, que criaram, na ocasião a United Presbyterian Church in the United States of America, que foi a denominação da qual fui membro enquanto estive nos EUA. A instituição criada em 1794 foi o chamado Service Seminary [Service era o nome de uma cidade no Condado de Beaver, perto de Pittsburgh], criado pelo Associate Presbytery of Pennsylvania. A longa história do Pittsburgh Theological Seminary e a foto do primeiro prédio que lhe serviu de casa em 1794, pode ser encontrada em https://www.pts.edu/History. Eis algumas fotos de prédios que hospedaram as diversas instituições ao longo dos anos, a última sendo da casa atual, desde 1959, do Seminário.

pts-01pts-02pts-03pts-04pts-05pts-06Fotos do Pittsburgh Theological Seminary…
As três primeiras são de encarnações anteriores, a primeira sendo do
Service Seminary de 1794.
A quarta foto é do Administration Building atual.
A quinta foto é uma vista interna da famosa Hicks Memorial Chapel, que tantas vezes foi pixada por dentro, durante a Guerra do Vietnam, com dizeres do tipo “Stop the killing”, “Make love, not war”, etc.
A sexta foto é um diagrama do campus.
Eu morei durante o tempo todo no terceiro andar do primeiro prédio mostrado na sexta foto, o que fica entre a Saint Marie St e a Stanton Ave.
O endereço era 6001 Saint Marie St, #34, Pittsburgh, PA 15206.
Vejam a posição de destaque da Hicks Memorial Chapel, o prédio de número 5.
O prédio de número 7 é a Clifford Barbour Memorial Library, onde eu trabalhei, à noite, durante cinco anos.
O endereço oficial do Seminário é
616 North Highland Ave, East Liberty, Pittsburgh, PA, 15206.

Pittsburgh, que nos anos 20 e 30 do Século 20, era chamada, além de “Cidade do Aço”, como “Cidade da Poeira” (Dust City), por causa da poluição, principalmente das siderúrgicas. A poluição foi eliminada e a cidade é hoje uma cidade “high tech”, com importante lideranças em famacêuticos e na área da saúde, onde o Presbyterian Hospital é famoso. A skyline da cidade, com a presença dos três rios, forma um triângulo, chamado de Golden Triângulo, que é o “centro mais central” da cidade.

Eis algumas fotos do centro de Pittsburgh:

Pittsburgh Skyline-01Pittsburgh Skyline-02Pittsburgh Skyline-03Pittsburgh Skyline-04Pittsburgh Skyline-05Pittsburgh Skyline-06

Hoje de manhã ficamos em casa, arrumando seguro viagem, pagando contas, etc. À tarde a Paloma foi ao enterro de uma prima dos pais dela, que faleceu ontem. Eu a havia visto apenas uma vez. Agora (noitinha) a Paloma está batendo perna com a Bianca, comprando algumas lembrancinhas para levar para a Andrea, minha filha, e a Olivia (apelidada Liv – 15 anos) e a Madeline (apelidada Maddie – 12 anos), minhas duas netas. Por falar nelas, minha filha, que se separou do seu marido há três anos, está de namorado novo – que, interessantemente, é o pai da melhor amiga (BFF) da Liv… Um professor, que teremos o prazer de conhecer ao chegar lá.

É isso, por hoje.

Em São Paulo, 22 de Dezembro de 2017.

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